Prefeitura admite registros, empenhos e erro sistêmico, mas deixa perguntas centrais sem resposta

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A resposta oficial enviada pela Prefeitura de Alto Taquari à Câmara Municipal, por meio do Ofício nº 022/2026, confirma elementos essenciais que motivaram a apuração jornalística publicada pelo Taquari Alerta, mas não elimina as dúvidas centrais do caso.

No documento, o Executivo reconhece a existência de registros contábeis, empenhos emitidos e de um valor consolidado de R$ 3.496.434,86 relacionado ao exercício financeiro de 2022, ainda que sustente que não houve repasse financeiro a entidade privada.

A confirmação desses dados desmonta a tentativa de classificar a informação como falsa. No entanto, abre uma sequência de questionamentos que permanecem sem resposta objetiva.

Se não houve pagamento, por que houve empenho?

A Prefeitura admite que os empenhos nº 01 e nº 02 foram emitidos em 30 de dezembro de 2022, vinculados à Fundação Municipal de Saúde (FUNSAT), e que ocorreu erro material no campo de identificação do credor.

O Executivo afirma que o erro não gerou pagamento. Mas o ponto que permanece é:
por que empenhos com identificação equivocada foram emitidos no último dia do exercício financeiro?
Quem autorizou?
Quem conferiu?
Por que o erro só veio à tona após questionamento público?

Essas perguntas não são políticas. São administrativas.

Valor milionário existiu e estava público

O montante de R$ 3.496.434,86 é tratado pela Prefeitura como “mera consolidação contábil”. Ainda assim, o próprio Executivo confirma que o valor estava registrado em sistema eletrônico, acessível até abril de 2023 .

Ou seja, o dado:

  • existiu;

  • foi registrado;

  • esteve disponível ao público;

  • foi interpretado por vereadores;

  • e motivou questionamento formal.

Se a informação fosse irrelevante ou inexistente, não haveria necessidade de um ofício de quatro páginas para explicá-la.

Sistema fragmentado: falha estrutural admitida

Outro ponto sensível da resposta oficial é o reconhecimento de que, em 2022, o município ainda operava sem o SIAFIC, sistema que integra e padroniza dados contábeis. Cada órgão utilizava sistemas próprios, com consolidação posterior.

Na prática, o Executivo admite um ambiente propício a:

  • falhas de leitura;

  • divergência de dados;

  • dificuldade de fiscalização;

  • e confusão no controle social.

A pergunta que fica é simples:
se o sistema permitia erro, por que a culpa recai sobre quem questionou, e não sobre quem lançou?

Dados vieram de ambiente oficial, não de “fonte paralela”

A Prefeitura também confirma que os dados questionados vieram de um ambiente eletrônico vinculado à FUNSAT, e não de um site clandestino ou fraudulento.

Portanto, a informação divulgada pela imprensa:

  • tinha origem oficial;

  • estava em sistema público;

  • e só foi corrigida após repercussão.

Classificar isso como fake news não resiste aos próprios documentos do Executivo.

Resposta explica, mas não encerra

A Prefeitura afirma que as contas de 2022 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Isso não está em debate. O que se debate é:

  • a existência de registros controversos;

  • a emissão de empenhos com erro;

  • a demora na correção;

  • e a tentativa de desqualificar o questionamento em vez de enfrentá-lo com transparência desde o início.

A resposta oficial explica o como, mas evita o por quê.

Jornalismo que pergunta cumpre seu papel

O Taquari Alerta não acusou crime, não atribuiu desvio e não condenou ninguém. Cumpriu sua função constitucional de questionar atos da administração pública com base em documentos oficiais.

Se a Prefeitura precisou explicar, é porque havia o que explicar.
Se houve esclarecimento, é porque a pergunta era legítima.
E se houve incômodo, é porque o jornalismo tocou onde precisava.

A transparência não se prova com rótulos.
Se prova com respostas completas.

CLIQUE AQUI PARA VER: RESPOSTA AO OFÍCIO Nº 003/2026 – ESCLARECIMENTOS CONTÁBEIS, ORÇAMENTÁRIOS E FINANCEIROS (EXERCÍCIO 2022)